E nesse horário estou partindo em férias para o Rio de Janeiro...
Aqui uma reflexão: como está sua vida financeira agora? Nesse exato momento você tem idéia se possível realizar algum sonho? Tem alguma poupança? E as dívidas e prestações?
Certa feita pedi para uma pessoa que, após tomar seu café recém coado, sentasse em uma mesa e anotasse todas as suas despesas mensais fixas, variáveis, prestações, enfim tudo que gastava em um mês, sendo que isso deveria ser feito sem consultas, somente utilizando a memória, entretanto algumas consultas foram necessárias para verificar valores exatos.
O pedido decorreu da verbalização de um empréstimo que fez ano passado e que poderia acarretar alguns prejuízos irreparáveis.
Terminada a tarefa de anotar, solicitei que fosse tudo somado. Depois, foram feitas anotações dos "créditos mensais" com seus exatos valores. Tomados os valores dos créditos e deduzidos os débitos anotados ainda sobrava um valor equivalente a quarenta por cento dos rendimentos mensais.
" Ótimo! Então, você pode resolver aquela dívida que está lhe preocupando em pouco tempo, aquela cujo valor dos juros foi somado, mas não o valor dela integral."
- Mas... escuta.. vi você guardando uns papeizinhos na carteira e dizendo que não podia jogar fora. Qual a razão?
- Prestações da loja de departamento "x", mas é coisinha pequena, nem vale a pena anotar.
- Vamos lá! Coragem! Precisamos do quadro real!
- Está bem, somando importa no valor "n"- e esse valor era equivalente a 6% do recebimento mensal - Nossa! Nunca imaginei! São prestações pequenas, tem uma até de R$ 18,00.
- É! Pequenas, mas que somadas chegam a esse absurdo em relação à sua renda. Anote na planilha!
- Verifiquei na planilha que tem dois lançamentos, com valores diferentes, referentes à mesma rubrica!
- Assim, ano passado não consegui pagar, então parcelei no cartão de crédito esse ano! E agora tenho o ano passado e esse para pagar, sendo que o mês passado já não paguei o desse ano, somente consegui pagar o cartão.
- Entendi! Pelo menos está lançado!
- Nossa! - diz a pessoa - que absurdo minha conta de luz! - valor de 5% dos recebimentos totais.
- Vamos "ler" essa conta de luz. Pegue esse papel e leia.
- Ah! Tá! Tem o valor do mês passado e desse mês, é que mês passado não paguei, mas nunca deixo cortar a luz.
Vamos para o segundo passo. Abra seu internet banking.
- Qual seu saldo?
- Meu saldo é "x", mas vai entrar "y", bla, bla, bla!
- Calma! Qual seu saldo efetivo hoje? Quanto você tem na conta ou está negativa?
- Ok - desanimada - está negativa em "z"!
O saldo negativo era equivalente a um valor total dos créditos de um mês mais 10%, ou seja, mesmo entrando todos os créditos ainda assim ficaria 10% negativada no banco, ainda, estava pagando juros de cheque especial sobre todo esse valor e durante o mês inteiro e todo mundo sabe que juros de cheque especial são capazes de levar à insolvência em curto prazo.
- Como será que aconteceu isso?
- Sei lá...
- É que funcionava assim: eu tinha saldo positivo durante quinze dias do mês, depois durante dez dias e depois durante cinco dias...
- Pois é, aconteceu exatamente assim, você foi simplesmente ignorando os fatos e comprou isso e aquilo sem que tivesse dinheiro, somado aos juros do cheque especial a coisa foi crescendo e agora você está indo para o ponto de não ter dinheiro nem mesmo quando entram todos os créditos, fica tudo para o banco.
Vamos continuar nessa análise do extrato bancário.
- Quanto você paga de juros?
- Onde que se vê isso?
- Na rubrica "juros" do extrato!
Procura daqui, procura dali e bingo! 10% do saldo devedor é claro!
E a coisa toda não parou por aí. Havia lançamentos de um crédito que o banco fornecesse automaticamente e a pessoa escolhe o número de prestações no terminal, depois os valores vem debitados em conta corrente.
- O que é esse crédito? Porque você o utilizou?
- Sabe como é... a gente não tem dinheiro e daí termina por usar.
- Pois é, mas se a gente não tem dinheiro, simplesmente não gasta, exceto se for alguma emergência fatal... se não dá para comer carne, come ovo... se não dá para comprar o pão, faça o pão em casa que é mais barato... se não tem dinheiro, não tem que comprar mais nada que não seja o estritamente necessário.
E depois vinham taxas bancárias que, no meu entendimento, não poderiam ser cobradas e estavam perdidas no meio dos lançamentos.
Feito o diagnóstico, já era hora de tomar providências!
- Esquecer a dívida que gerou o levantamento, aquela que estava incomodando e continuar pagando os valores mensais dela porque os juros não eram exorbitantes.
- Procuramos um empréstimo com juros mais baixo e foi feito no valor de "um valor total mensal" para cobrir a conta corrente, sendo que o valor da prestação é inferior àquele que vinha sendo pago a título de juros.
- Começar a usar a planilha e ensinei como deveria ser feito do meu modo "tosco". Manter uma caderneta na bolsa, anotar todos os créditos durante o mês, anotar todos os débitos durante o mês, não fazer compras, exceto do que for essencial (comida, remédio), no final do mês somar os valores e ver o resultado anotando na planilha maior.
- Eliminar o cartão de crédito! "mas, vou pagar tudo à vista?", "exatamente, começando pelas fixas e administrando as variáveis que devem ser diminuídas".
- Monitoramento da conta corrente que foi sendo feito também por mim no intuito de ajudar a controlar.
Chegando no final da coisa toda, a pessoa estava pasma, chorou, disse que era uma "m%$#@$##" essa situação a que chegou e não tinha nem ideia de que sua situação financeira era essa.
Ponderei que somente havia uma culpada na coisa toda e era a própria pessoa, ressalvadas algumas situações pessoais, eu até compreendia como chegou nesse ponto, somado ao fato de que jamais alguém ensinou como verificar ou controlar as despesas mensais.
Bem, esse post já ficou longo demais, a coisa toda teve desdobramentos que vou contando por aqui em outras ocasiões.
Se você teve a paciência de ler esse texto até o final, conte-me quais foram suas reflexões, se você tem ideia das suas despesas/créditos/dividas, como controla seu orçamento doméstico...
Enfim, comecei a tentar diminuir estas compras para reduzir o valor do cartão e sobrar mais dinheiro para colocar na poupança. No início não deu muito resultado por causa das várias parcelas a vencer. Porém, no mês passado, tive a grata surpresa de ter tido uma redução considerável no meu cartão de crédito, isto porque colocando poucas coisas no cartão, pagando as outras coisas à vista e com o vencimento das tais compras parceladas, a tendência é realmente o valor a ser pago no cartão diminuir.
Já para a próxima fatura, a qual estou monitorando pela internet, espero que o valor fique ainda mais baixo que a do mês passado.
Meu objetivo agora é parar de comprar besteiras (já estou comprando muito, muito menos), destralhar a casa (o que estou fazendo, mas é um processo muitíssimo demorado), resolver algumas pendências médicas de minha filha (tipo cirurgia, finalizar calendário de vacinas, etc), continuar pagando academia e continuar colocando o dinheiro extra na poupança.
Para o ano que vem espero poder focar em outras coisas: resolver pendências minhas (fazer um tratamento para varizes é uma delas), continuar na academia, já ter destralhado muita coisa em casa e começar a fazer o que gosto, que há muito tempo não faço (por falta de tempo, de ânimo, ansiedade, falta de paciência, sei lá): assistir filmes, ler livros, viajar, passar uma tarde numa cafeteria saboreando uma torta e um café ....