O comentário da Gabriela no post sobre o lustre trouxe a recordação de uma história de cemitério e poderia ser apenas mais uma daquelas inventadas pelo Dr. Luiz Ulysses Sbroglio, pessoa de talento imenso para o júri e só não foi o maior do Rio Grande do Sul ou quiçá do Brasil porque jamais se dispôs a deixar sua amada terra Lagoa Vermelha.
Por uma das felicidades do destino essa pessoa é meu pai. Muito divertido sentar com ele porque, enquanto a cuia de chimarrão passa de mão em mão, ele vai contando causos, alguns verdadeiros e outros nem tanto, sendo todos com um tom bastante sério fazendo parecer que tudo aconteceu ou existiu realmente.
Em uma dessas lindas ocasiões ele contou sobre homem e a máquina de fazer dinheiro. Completamente verdadeira e confirmada por uma das filhas do homem da máquina, pessoa que veio a se tornar "quase" parente nossa no final da década de 1990 e, portanto, com convívio mais próximo até hoje.
O pai dessa moça tinha uma máquina de fazer dinheiro mais ou menos na década de 1930. Dizem que era uma pessoa bonachona e de boa vida. Tinha mulher e uma penca de filhos. Fabrica dinheiro daqui, fabrica dali e a polícia começa a perseguí-lo, andar no encalço.
Tal senhor não teve dúvidas, largou mulher e a penca de filhos, fugiu com a máquina em direção ao Paraná passando por Cornélio Procópio-PR e de lá dizem que foi para Ourinhos-SP. Não se soube mais da tal máquina, mas o homem formou outra família e por lá viveu até que a morte o levou.
A família do Rio Grande do Sul abandonada! Uma mulher naquela época, largada pelo marido e com muitos filhos para sustentar, não teve outra saída senão lavar roupa para fora. Sofreu muito, criou todos os filhos e ao que parece jamais quis outro companheiro tamanho o trauma sofrido.
Voltando ao homem da máquina e à morte que o levou, meu pai foi para Cornélio Procópio-PR me visitar, isso já tem algum tempo, e tirou uma tarde inteirinha no cemitério consultando os livros de registros dos óbitos.
Imaginem a poeira e a sujeira desses livros! Todos guardados em uma salinha no cemitério! E a surpresa do responsável ao chegar uma pessoa pedindo para olhar, mas ele queria porque queria saber se tal homem estava enterrado ali. Qual a razão? Queria contar para a família do defunto que havia encontrado os restos mortais ou será que queria achar o paradeiro da tal máquina de dinheiro? Ninguém sabe e ninguém saberá.
Achou, ao que me recordo e sou péssima de memória, o tal túmulo e não encontrou a máquina e nem notícias dela. Quanto à máquina não deveria mais ter utilidade porque imprimia "mil-réis", moeda da época do início da Era Vargas, mas que seria interessante encontrá-la ah isso seria!!! Deve possuir algum valor histórico e, afora isso, imaginem a felicidade do nosso contador de causos!!!.














































