E a Fernanda deixou o comentário abaixo e resolvi compartilhar porque me enxerguei fazendo as mesmas coisas durante muito tempo. Assim, o importante é perceber que podemos e vamos mudando e vamos sendo mais felizes e a esperança vai tomando conta dos nossos dias.
"Olá Ziula, é a primeira vez que escrevo aqui. Lendo o seu post, me
animei a fazer um relato sobre minha vida atual.
Depois de passar anos
me lamentando sobre como gostaria de ter uma casa mais arrumada, ter
mais tempo para assistir filmes, tomar vinho, um café, ficar mais com
minha filha e entrava ano e nada ... médicos, pequenas cirurgias
pendentes e a sensação de que o ano passou e não fiz nada .. e só
comprando coisas e entulhando a casa ...
Por acaso, pesquisando na
internet sobre organização de escritórios, de repente, fui acessando
alguns sites que falavam de orgazação, destralhe, minimalismo ...
Como
estava passando meio que por uma crise comecei a ficar entusiasmada e,
de repente, isso me deu um ânimo de vida.
Comecei este ano a fazer um
destralhe. Não é fácil. A sala parece uma zona de guerra. Tenho colocado
tudo lá ... coisas que não quero, coisas para doar, coisas que deverão
ser guardadas, caixas, sacos, sacolas ... Às vezes fico perdida e me
pergunto o que estou fazendo.
Abri a caixa preta e agora não sei o que
faço. Às vezes fico pensando que deveria ter deixado tudo como estava.
Não sabia que era tão cansativo e demorado.
Eu trabalho o dia todo e
chego exausta, tenho uma filha pequena que me dá muito trabalho e marido
que não ajuda em nada. Tenho rinite alérgica e crises de sinusite que
pioram bastante a cada arrumação. Mas fico pensando que é horrível vc
ter uma casa mas não ter controle sobre ela nem sobre as coisas que tem
dentro. Tinha e ainda tem tanta coisa guardada... se eu pudesse jogava
tudo fora mas na hora H vejo que não dá para fazer isto.
Um enxoval de
casamento grande ... fui fazendo e ainda tenho lençóis e toalhas que
nunca usei ... mantas, colchas, para quê, se moro em um lugar que faz
calor boa parte do ano? milhões de copos, conjuntos de prato fechados
(vendi todos que estavam fechados, sobrou 1 que quero vender também),
talheres.
Se alguém tivesse me avisado na época que não deveria ter
comprado tanto ...
E roupas, sapatos, bolsas, várias compradas em
liquidações "ïmperdíveis". Coisas que depois a gente se pergunta porque
comprou, que não vestem bem na gente, que são de qualidade duvidosa...
livros, trabalhos de escolas, garrafas, etc.
Resultado, tirei muita
roupa do armário, sapatos, bolsas, milhões de bijouterias, coisas de
casa, enfeites (para quê tanto enfeite?), sacolas de papelão, sacos para
usar quando precisasse, papéis, revistas livros, potes, vasilhas,
batons, hidratantes...
Mesmo assim, parece que a casa continua cheia...
toda hora volto nos mesmos lugares e sempre tem mais coisa. Sinto agonia
de tanta coisa e de não ter tempo para fazer tudo.
Sem falar no lixo de
todo dia. Todo dia tem caixa de remédio vazia, todo dia tem panfleto,
revista velha ...
CD´s, DVD´s, eu fazia coleção, tirei mais de 70 CD´s,
mais de 70 DVD´s mas ainda tenho muitos ... e não consigo me desfazer...
Sacolas recicláveis que guardo para um dia usar, embalagens de
presente, não sei quantas bolsas, brincos, biquinis, uma mala com roupas
de frio que só são utilizadas raramente.
Outro dia me dei conta que
comprava batons e hidratantes mesmo tendo outros fechados, sem nunca ter
usado. Não faço mais este tipo de coisa.
Mas o que me faz seguir em
frente é a busca por um dia poder ter tempo para ficar sem fazer nada em
casa, se eu quiser ... quando penso em desistir me imagino sentada no
sofá, com as pernas estiradas no pufe, assistindo um filme ou sentada na
poltrona tomando um café, olhando para a rua ... Isso me move. Me sinto
como aquela pessoa que está no deserto em busca de um oásis."
Devagar a pessoa chega onde quer a única coisa que eu faria diferente no momento atual é me livrar definitivamente do que está sendo colocado na sala: doar para o porteiro ou moça da limpeza ou instituição de caridade; acaso não morasse em condomínio levaria para o trabalho ou colocaria em frente de casa e essa última solução funciona: em minutos tudo some!!!
É preciso mandar esse passado embora e para bem longe!!!
Quanto à retornar ao mesmo cômodo e ter mais ainda para destralhar, quem acompanha o blog sabe quantas vezes destralhei meu quarto em Cornélio, quantas vezes destralhei o tal quarto preto, quantas vezes eu e Izabel fizemos limpeza no quarto dela aqui em Londrina e em Cornélio. O que me dá ânimo para continuar é que depois de um destralhe no próximo sempre tem menos coisas para tirar e um dia ficará somente o essencial.
É preciso perseverar e destralhar as coisas conforme for possível já encaminhar para algum lugar! Algumas coisas são muito difíceis mesmo e essas vieram comigo para Londrina, muitas já foram e outras continuam, mas um dia partirão, quando eu estiver preparada!!!