quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Consumo exagerado e mídia...


Dia desses a Adriana comentou que havia compartilhado o vídeo postado nesse blog no Facebook e que algumas pessoas já haviam "curtido". Também postei na mesma rede social e poucas pessoas "curtiram", isso se comparado ao número daquelas que "curtem" qualquer bobagem postada.

Parece que situações sérias despertam pouco interesse e quando se trata de consumo consciente ou não consumo despertam menos interesse ainda.

Não vemos qualquer propaganda pelo pouco consumo, muito pelo contrário. O que traz "ibope" e muita aceitação em todos os cantos é o consumo exagerado, é o produto novo em detrimento daquele não tão velho que ainda funciona, são as demonstrações de poder, de poder aquisitivo.

A mudança de mentalidade ainda atinge um número pequeno de pessoas e corre-se o risco de discriminação e até chacota quando falamos sobre a desnecessidade de termos mais e mais coisas.

Nossa realidade oferece diversos caminhos a cada segundo e a maioria da população ainda queda inerte frente ao "novo", ainda tem medo de viver diferente ou ser diferente, até mesmo pelo medo de ser deixada à margem de uma sociedade onde o ter parece ser mais importante que o ser.

Poucas pessoas falam sobre o não consumo ou sobre o consumo consciente, tanto como forma de proteger o planeta, produzindo menos lixo e gerando menos impacto ambiental com a produção, quanto como forma de economizar os recursos para aplicá-los de forma que venha a trazer a verdadeira felicidade para a própria pessoa e para o próximo.

Muitas pessoas gastam desenfreamente sem nem lembrar da existência daqueles que sequer tem um pedaço de pão no café da manhã. E, aqui não se trata de dar o peixe e sim de ensinar a pescar. Sei que em um primeiro momento são necessárias as duas coisas - ajuda econômica e ensinamentos, mas depois de um tempo e com uma profissão essa pessoa que recebeu auxílio passa a produzir e não mais necessita da "caridade" do pão.

Sempre lembrando que o primeiro foco é nosso desenvolvimento integral como ser humano e depois devemos voltar a atenção para a família e pessoas mais próximas. Entretanto, feito isso devemos ter a coragem de nos voltarmos para a sociedade em geral, levando esperança, o que aprendemos, noções de importância e tudo mais que possa mudar nossa vida na terra, tornando-a voltada para o bem da humanidade.

Certo que nos sentimos impotentes frente a um objetivo tão grande, mas não podemos desistir, podemos começar com pequenas tarefas, com pequenos "dizeres", com pequenos exemplos e tudo isso se tornará imenso à medida que as pessoas se disponham a aprender como viver diferente e mais felizes.

Devemos nos rebelar contra a cultura do "shopping", da felicidade em sacolas, da alegria em adquirir coisas ou mesmo outros seres (sim, tem gente que sente prazer em adquirir animais, por exemplo).

Devemos preservar nossos recursos financeiros tão duramente conseguidos e, mesmo que o dinheiro tenha vindo de forma fácil, por exemplo uma herança, devemos investí-lo de forma a proporcionar a maior felicidade possível para nós mesmos e para todo o planeta.

Acaso eu ganhe uma grande quantia em dinheiro e torre tudo em bens que depois irão para o lixão, de que adiantou toda essa fortuna? E os recursos naturais que foram utilizados para produzir todas essas coisas? Ora, se houver uma diminuição no consumo também estaremos ajudando a preservar esses recursos da Mãe Terra.

Precisamos aprender a viver com o necessário, com o essencial, nem mais nem menos, somente o que for preciso para garantir uma existência digna.

Entretanto, é impressionante como vivemos em um mundo onde não ter as coisas deixa muitas pessoas constrangidas.

Muitas vezes essas pessoas vêem outra ou outras com determinado casaco azul de bolinhas amarelas, caríssimo, de grife, e mesmo sem ter condições, vai até a loja cujo nome já foi alardeado e compra o mesmo casaco para não se sentir inferior às demais pessoas do grupo, mesmo que para isso tenha que se endividar e parcelar em 12 vezes supostamente sem juros. Já na semana seguinte teremos aquele sapato laranja com rosas vermelhas no salto e o procedimento se repete indefinidamente, pois somente assim sentem-se "parecidas" com as demais e aceitas pelo grupo.

O ciclo mencionado talvez faça essas pessoas sentirem uma certa conexão com o mundo, pois o consumo e o marketing procuram passar a idéia de felicidade, entretanto, passada a euforia da aquisição, e isso ocorre minutos depois, a solidão retorna ainda mais forte.

Muitas pessoas compram para se sentirem aceitas. Conheci uma pessoa que dizia "... quando eu tinha um fusca, passava na avenida e ninguém olhava para mim, depois que comprei o carro "x" todo mundo olha e me cumprimenta...". Quais os valores que norteiam a vida das pessoas que hoje cumprimentam? Quais os valores dessa pessoa que conheci? O que realmente importa na vida delas?

Para ficar imune à esses apelos precisamos fortalecer nossas relações de amizade e nossa ligação com a família, somente esses laços amorosos são capazes de nos imunizar contra a falsa promessa de felicidade que vem das indústrias e comerciantes.

Já falamos por aqui da vendedora amiga. Pois é! Quem tem pessoas queridas à sua volta não precisa curar sua carência nos braços de uma vendedora cujo interesse é a comissão e por isso é tão simpática, afável, compreensiva, sorridente.

O consumo então é ruim? Não, de jeito algum. O consumo é necessário, desde que exercido moderamente e conforme a necessidade, sem representar uma válvula de escape para situações de tristeza, ansiedade, nervosismo, carência, dentre outros sentimentos negativos que levam a consumir, havendo casos que até muita alegria leva ao consumo errado.

Deve haver um exercício do consumo voltado à utilidade do que se vai adquirir, à necessidade, à análise se realmente aquele item é essencial, devendo ser deixado de lado qualquer sentimento, pois coisas não merecem sentimentos, pessoas sim merecem sentimentos.

Repensar o consumo e exercê-lo de uma forma madura nos faz sentir que retomamos o controle da nossa vida, é um exercício de inteligência, nos faz sentir poderosas e melhora a autoestima.

Querem exemplos? Se vamos na padaria e compramos o pão para nossa família tomar o café da manhã juntos, conversando e desfrutando de um momento de alegria, temos uma compra que nos traz satisfação, sequer pensamos no valor gasto.

Agora, se compramos um item que não é necessário, somente vai ocupar espaço, estaremos trazendo lixo para dentro de casa e nunca vi lixo trazer felicidade, muito pelo contrário, é só o desgosto da prestação a ser paga, da desnecessidade, de exigir mais espaço para armazenamento, de pedir tempo para manutenção, enfim, somente resta arrependimento, embora algumas pessoas demorem muito para ter essa consciência.

O primeiro "ano sem compras" trouxe uma grande reflexão sobre o que realmente importa, sobre as coisas que são essenciais, fazendo enxergar exatamente o contexto econômico no qual estou inserida e a forma como lidar melhor com as adversidades que esse contexto impõe. Com certeza não cheguei ao ideal, mas melhorei muito a forma de lidar com o consumo.

É muito intessante e um exercício indispensável esse afastamento do consumo, somente assim tomei consciência de tudo que tenho, de todas as coisas que estava consumindo sem necessidade, de todo trabalho que tinha para organizar e organizar e organizar tudo que ia colocando diarimante dentro da minha casa. 

Com essa freada brusca pude ver tudo que não precisava e não vejo outro meio de tomar essa consciência.

Necessário o afastamento, a desconstrução, a ressignificação, para somente depois voltar a consumir de uma maneira mais inteligente e menos danosa  para mim e para o meio ambiente, sendo essa uma das razões que embarquei no segundo "ano sem compras" que não está sendo tão radical quanto o primeiro, mas ainda preciso que exista essa restrição para interiorizar ainda mais os ensinamentos.

Vivemos em uma sociedade que prega podermos gastar no que quisermos, afinal ninguém paga nossas constas, trabalhamos e merecemos nos recompensar com montes de coisas que não precisamos. Esses conceitos e atitudes de consumo excessivo estão totalmente errados e levam somente à infelicidade, ocorre que quando falamos isso para pessoas consumistas podemos até arrumar inimigos, pois culturalmente estão condicionadas a pensar e agir dessa forma.

E você, está disposto (a) a alterar seus condicionamentos? Em caso positivo, comece agora, tome uma atitude, mude nem que seja um pequeno hábito e todo um mundo de novas possibilidades se abrirá à sua frente!

13 comentários:

  1. Ótima reflexão, Ziula.
    A felicidade deve vir de dentro e não dos fatores externos, não é? Ou qualquer contrariedade nos deixará infelizes.
    Beijos

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    1. Lud, você está certíssima, o problema é que muitas pessoas pensam que felicidade vem de bens materiais... espero que essa mentalidade vá mudando. Bjs

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  2. Adorei o post! Muito bom mesmo para refletir!

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    1. São situações que realmente precisamos pensar muito, mas não só pensar e sim incorporar novos comportamentos. Abraços

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  3. Ziula,

    Outro dia, no trabalho, eu estava conversando com colegas e algumas pessoas começaram a se gabar do grande número de roupas, sapatos, bolsas, etc. que possuem. A conversa acabou virando um concurso e ficou um clima pesada, tenso e, sinceramente, muito fútil também. As pessoas mais impels ficaram constrangidas e as que estavam falando de quantas coisas tinham não perceberam como tinham gerado uma situação desagradável. Eu falei rapidamente, então, sobre como tenho poucas coisas, quantidade razoável de sapatos, bolsas, etc. e achei que, dessa maneira, as pessoas mais simples e com menos recursos se sentiriam mais à vontade. Grande engano: TODAS as pessoas envolvidas na conversa se voltaram contra mim, falando que o que elas querem mesmo é ter mais coisas e que não veem sentido em viver dessa forma. Fiquei meio chocada, sabe? Eu não fui condescendente nem estava beligerante, só falei sobre como tenho menos coisas e as pessoas imediatamente começaram a endeusar toda e qualquer pose material e a contar, divertidas, sobre as coleções imensas de maquigem que durarão toda a vida "mas eu ainda continuo comprando" e sobre as roupas que ainda estão com etiqueta mesmo depois de ficarem mais de um ano paradas no armário. Nossa, me senti como um bicho em extenção!!! kkk!

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    1. Marina, eu juro que tentei ter conversas nesse sentido com outras pessoas, tentando alertar sobre o consumo desenfreado... rs... o que recebi foram risadas e um olhar de "que loucura você está falando? não vê como mereço comprar para me satisfazer?"... Hoje, somente converso sobre isso com quem está também em processo de mudança e normalmente somente com minha família e aqui no blog.

      Um dia deixaremos de ser estranhas!!! rs

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  4. Ziula,
    seja bem vinda, as portas lá de casa são sempre abertas.
    Costumo dizer que não se compra felicidade no shopping!
    abs
    Jussara

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    1. Jussara, obrigada pela acolhida. Adoro seus textos!!!

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  5. Pois é, isso de sempre ter mais gente para curtir qualquer bobagem é verdade. O questionamento do consumo ainda não é visto como deveria ser. Poucas pessoas se importam com isso, engraçado é que assim estão pouco se importando com elas mesmas uma vez que o exagero só causa dívidas, entulhos, e logo lançam uma coisa nova e já surge nova necessidade da tal coisa.

    Vivemos num mundo que o ter é muito mais interessante que o ser. Infelizmente o mundo é assim embora devesse ser ao contrário. Por isso que todo mundo tenta ter, mesmo que não possa ter.

    A alegria momentânea da compra é bem destacada nas propagandas que em sua grande maioria fazem nossas coisas parecerem ultrapassadas, desatualizadas, fora de moda, mas eles não mostram o depois de uma má compra.

    O crédito facilitado ajuda e nos dá uma falsa condição de posse. Tanto que nem criticamos o fato do Brasil ser um dos países com mais altos juros. E querem passar a ideia que podemos pagar tal coisa sempre.

    Se vamos em uma loja perguntar o preço de um produto de alto valor, é comum o vendedor ao invés de dizer o preço, já falar “tantas vezes de “X”. Ah, eles usam o “somente” na frente.

    Só que isso escraviza a pessoa. Facilmente se compromete o salário com parcelas inocentes e a coisa comprada geralmente não dura sequer o período das parcelas. Assim que nova compra, novas parcelas, etc. Até a pessoa cansar disso. Ou estar em situação que nem escrava das parcelas mais pode ser.

    É preciso ser muito forte para consumir com consciência e não ligar para as críticas. Aliás é engraçado ter críticas para se fazer o correto, mas é assim que funciona.

    O ideal é o equilíbrio, nem o não consumo absoluto nem o consumo desenfreado.

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    1. Adriana, penso que estamos no caminho certo e talvez nosso exemplo ajude a mudar outras pessoas. Beijos

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  6. Ual, Ziula! Post longo, porém eloquente, de leitura envolvente! Gratidão, querida, por nos presentear com essa reflexão que demonstra que sua consciência está vendo muito mais a frente. Vou imprimir e carregar esse texto comigo. Se eu tiver vontade de comprar, qualquer bobagem que seja, lerei-o novamente. Você nos mostrou, de maneira clara, amorosa, prática, todas as razões pelas quais devemos evitar o consumo desnecessário.
    Muito agradecida!
    Um abraço, Samanta.

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    1. Samanta, tem coisas que a gente precisa ouvir, ouvir, ouvir, ler, ler, ler, mas sem preocupação de uma mudança imediata... deixe essas coias que você acha importante irem se incorporando ao seu dia a dia e quando você nem perceber já terá novos rumos!!! Beijos

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  7. Boa tarde!!! Estou amando tudo q tenho lido por aqui, esta sendo um grande aprendizado!!!! muito obrigada!!!

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