quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Por onde andei...

Não sei se já contei por aqui e respondendo um comentário da Adriana lembrei das minhas peripécias.

Meu primeiro filho nasceu quando eu tinha 17 anos. Crescemos juntos e isso foi maravilhoso. Te amo, moleque!
Já fiz para vender: tricô, torta fria, bombons, comida congelada, cadernos de receita encapados com juta e com enfeites de rendas e feltro. Eu e meu marido, do qual estou separada há mais de vinte anos, tínhamos um restaurante e cada prato demorava uma hora para ser servido porque até a carne era descongelada quando o cliente chegava, é claro que não deu certo. Já fui sacoleira vendendo roupas do nordeste e de Santa Catarina. Vendi Avon, Natura. Fui estagiária em um banco e meu chefe me chamava de cega quando encontrava alguém que não devia em umas fichas necessárias para aprovação de crédito e a pessoa estava negativada.

Quanto ao restaurante foi uma boa experiência para o marido, pois hoje junto com a atual esposa tem a melhor pizzaria e casa de massas do mundo - Pizzaria Forno A Lenha - e quem um dia passar por São Miguel do Oeste - SC deve dar uma paradinha e provar as maravilhas que eles fazem.
Enfim, sempre me virei nessa vida e sempre fui feliz fazendo cada uma dessas coisas. Fui indo, seguindo o ritmo que me era apresentado, fazendo o que era possível no momento e andei até chegar onde finalmente queria.

Fiz mais de dois mil quilômetros por semana, todas as semanas, durante um ano para terminar a faculdade de direito, cursando um semestre pela manhã e outro à noite. Meu filho e meu marido ficaram em São Miguel do Oeste-SC, eu ficava na casa da minha mãe em Lagoa Vermelha-RS e cursava a faculdade em Passo Fundo-RS. Saía de SMOeste no domingo à noite, ia para Passo Fundo, assistia aula pela manhã, ia para Lagoa Vermelha chegando às 13h00, pegava o ônibus para Passo Fundo às 17h00 e voltava para Lagoa Vermelha à 01h00... nos dias seguintes tudo se repetia até chegar a sexta-feira à noite quando de Passo Fundo ia para SMOeste e chegava por lá sábado de manhã, voltando no domingo à noite.

Nessas andanças não fiquei tão saltitante quando morei em uma casa com ratos imensos nem quando precisei dormir em um quarto onde eu ouvia os ratos dentro do armário. Não, não tenho pavor de ratos! Ainda bem!

Também não posso dizer que gostei de ter o telefone cortado, principalmente já sendo advogada e precisando dele para o trabalho, nem que gostei do momento em que tive que dar cheque pré-datado na padaria.

Mas... tudo na vida caminha para o progresso e para ser melhor, basta que façamos a nossa parte e cada uma dessas experiências me deixou mais segura, confiante e experiente, com a certeza de que posso fazer muito mais do que faço hoje se for preciso.

12 comentários:

  1. Não que eu seja fuxiqueira, mas adoro a história das pessoas e a sua é linda, inspiradora!
    Obrigada por partilhar.

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    1. Obrigada, Li... cada minuto foi importante!

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  2. Ola Ziula, eu estava precisando de uma história de sucesso assim. =]

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    1. Viviane, as pessoas por vezes olham a vida de outros e pensam que é fácil, mas ignoram totalmente o caminho que tiveram que trilhar!

      Desejo uma história de sucesso para você!!! :-)

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  3. Eu tive o azar de que, quando passei no direito da pucrs, tinha mudado para 6 longos anos, antes era 5 e depois voltou para 5. E quando transferi do campus II da puc para o central em porto alegre perdi mais um, não aceitavam um monte de matérias mesmo sendo a mesma puc. Logo, andar 2 mil km para fazer 2 semestres em 1 me pareceu bem válido viu...

    O importante é não se manter parada reclamando da vida né, botar a cara a tapa é o melhor a se fazer, se erra bastante mas depois acerta.

    Eu tenho um amigo que quando começou a advogar recebeu um cheque de pagamento e o cheque era roubado...kkkkkk, e um tio que o primeiro cliente dele tinha ido de porto alegre para o interior lá numa audiência e não é que o homem morreu lá na audiência e nos braços do meu tio? Ele até hoje, velho já, se tu pergunta fala aquilo como se fosse no dia... a gente sofre!! E muito vivendo na prática a lenda do "casa de ferreiro o espeto é de pau". Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

    Eu quando tive que mudar compulsoriamente para SP economizava quase todo meu salário de poa prevendo um período de adaptação até voltar a um lugar semelhante ao que eu estava. E assim foi, pra não ficar parada ficava como correspondente de vários advogados e dai ia em outras partes, foi até bom e rentável, mas nada como voltar ao que eu gosto e do lado que gosto. Mas é uma coisa interessante que se abriu também pois a gente interage e vai a lugares que não iria de outra forma.

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    1. Fazer dois semestres em um foi o possível na época, caso contrário teria toda a maratona em dois anos e deixaria o Renato por dois anos também... então, é aquela coisa: o que não tem solução solucionado está!

      Seguir a corrente... acho que é isso!!!

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  4. Que inspirador, obrigada por partilhar. Muito bom ler isso!
    Deus te abençoe sempre.

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    1. Amém, Cristina e que eu possa ouvir suas histórias por muito tempo!

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  5. Muita força de vontade.
    Hoje eu vejo os jovens bem mais indolentes, preguiçosos e dependentes, mas pode ser só impressão.
    Estou ficando velha

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    1. Gabriela, penso que fazemos pelos filhos mais do que deveríamos, na vã tentativa de poupá-los um pouco... sei que é um engano e estou tentando me policiar, acho que está dando certo porque meus filhos são bem esforçados. O mais velho trabalha desde os 14 anos e a Izabel começou o ano passado com 17 anos, antes não morava comigo. Então, é preciso dificuldade para que cresçam!

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  6. Querida Ziula. Não fazia a mínima ideia do seu percurso. Muita coragem sua partilhar com o mundo. Certamente acrescentou algo mais à minha vida. (E não é que acrescente pouco com o que escreve todos os dias). Fiquei ainda a admirá-la mais.

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    1. Ana Margarida... obrigada pelas palavras, mas se formos pensar bem, todos temos uma história linda... afinal viver é lindo, embora por vezes doloroso.

      Beijos

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